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Arritmia: Saiba Mais

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Sobrac Promove Campanha
"Coração na Batida Certa"

A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) realiza anualmente o Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita. Na data, 12 de novembro, a entidade atua na conscientização da população a respeito da existência, da relevância e da prevenção dos fatores de risco para o desenvolvimento das alterações.

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Arritmia: Saiba Mais

Arritmia Supraventriculares

O que é?

Estas arritmias são frequentes, constituindo o grupo mais comum de arritmias cardíacas atendidas em serviços médicos de emergência. São agrupadas por compartilharem alguns aspectos comuns: no eletrocardiograma, manifestam-se como taquicardias de complexos QRS estreitos, isto é, semelhantes ao ritmo cardíaco normal. Do ponto de vista clínico, são arritmias paroxísticas em sua grande maioria, isto é, manifestam-se como episódios de palpitações taquicárdicas (quando a pessoa sente o ritmo cardíaco muito mais rápido que o normal, em situações em que não se esperava o coração batendo rapidamente, como em repouso, por exemplo). Estes episódios tem duração variável, de menos de um minuto, com reversão espontânea, podendo chegar a horas, com a reversão para o ritmo normal sendo conseguida apenas no hospital, por meio de drogas usadas por via intravenosa ou cardioversão elétrica (um choque de corrente contínua aplicado na superfície do tórax após sedação do paciente). No intervalo entre as crises, pode haver total ausência de sintomas, ou haver apenas alterações fugazes do ritmo, percebidas como “falhas” no ritmo cardíaco normal (geralmente não sentimos o coração bater na maioria do tempo). Uma terceira característica comum destas arritmias é que todas apresentam um risco baixo para provocar morte cardíaca súbita, embora esta seja raramente descrita. Tal fato decorre de estas arritmias não gerarem uma freqüência cardíaca elevada o suficiente para impedir o enchimento cardíaco, ou seja, apesar da frequência elevada, ainda é possível, para o coração, encher-se de sangue, embora não completamente, para poder bombeá-lo no próximo batimento. A quantidade de sangue bombeado durante a crise de taquicardia não é a normal, mas é suficiente para manter o indivíduo vivo até que a arritmia termine ou seja terminada por atuação do médico no hospital. Durante as crises, a frequência cardíaca atingida varia de 180 a 220 batimentos cardíacos por minuto.

A suspeita clínica da doença é feita pelos sintomas acima descritos, ou seja, crises de palpitações taquicárdias, com mal estar, falta de ar, escurecimento visual e por vezes desmaio durante a crise. O diagnóstico destas arritmias é confirmado pela realização do eletrocardiograma durante a crise. Esta documentação não é fácil, pois, frequentemente, a arritmia termina antes que o eletrocardiograma seja realizado. Não é possível prever quando o paciente irá apresentar nova crise e o eletrocardiograma realizado quando o paciente não está em arritmia não ajuda no diagnóstico, na maioria das vezes. Isto, aliado ao fato dos sintomas citados não serem específicos de arritmias cardíacas, muitas vezes leva à diagnósticos incorretos, como Síndrome do Pânico ou transtornos de ansiedade, com tratamentos ineficientes e desnecessários. É freqüente que a confirmação do diagnóstico destas arritmias seja conseguido apenas durante Estudo Eletrofisiológico, exame no qual cateteres são avançados até o coração pelas veias, permitindo a estimulação cardíaca e o desencadeamento das arritmias, que serão então identificadas e diferenciadas, permitindo o tratamento adequado.

As 3 arritmias mais comuns que compõem este grupo são a Taquicardia por Reentrada Nodal, a Taquicardia por Reentrada Átrio-Ventricular e a Taquicardia Atrial. Embora partilhem destes elementos comuns, são arritmias diferentes, seja nos processos que determinam a sua gênese, seja no tratamento que cada arritmia particularmente requer. Faremos, a seguir, comentários específicos para cada arritmia individualmente.

Taquicardia por Reentrada Nodal

A Taquicardia por Reentrada Nodal, abreviada aqui como TRN é também conhecida como Taquicardia por Dupla Via Nodal ou Taquicardia Intra ou Perinodal. É a mais comum das três. Predomina em mulheres adultas, embora possa acometer homens e mulheres, da infância à terceira idade.

Apresenta-se clinicamente como crises de palpitações taquicárdicas, com duração que varia de alguns minutos a várias horas. Durante as crises, a pessoa nota, além do ritmo cardíaco rápido, sensação de batimentos no pescoço, ou um desconforto que se assemelha a um aperto no pescoço, conhecido como sinal do enforcamento, que é característico desta arritmia.

O eletrocardiograma realizado durante a crise permite o diagnóstico com alto grau de certeza, mas freqüentemente a arritmia termina antes que se possa chegar a um serviço médico e gravar o exame.

A alteração da fisiologia normal que permite o aparecimento da arritmia é a presença de duas vias que convergem para o nó átrio-ventricular, estrutura que carrega o impulso elétrico da região alta para a região baixa do coração – dos átrios para os ventrículos. Como consequência, a presença desta via extra, conhecida como via lenta, permite a gênese de um circuito elétrico onde o estímulo desce para os ventrículos pela via lenta, subindo de volta aos átrios pela via rápida, e assim subseqüentemente. A arritmia só termina quando o estímulo elétrico tem a sua passagem bloqueada em uma das duas vias, o que ocorre espontaneamente ou sob ação de drogas.

O tratamento para a arritmia consiste no emprego de drogas que lentificam a passagem do estímulo elétrico pela via normal e/ou pela via lenta ou ablação por cateter. O uso de drogas endovenosas para a reversão da arritmia é muito eficaz. Porém para uso crônico, as drogas é associado à efeitos colaterais. São drogas que necessitam ser tomadas pelo resto da vida, visto que funcionam apenas enquanto estiverem circulando no sangue. O tratamento mais eficaz para esta arritmia é a ablação por cateter de radiofrequência. Neste procedimento, são avançados cateteres pelas veias centrais até o coração. Os cateteres são manipulados até que a ponta do cateter terapêutico esteja sobre a via lenta. A liberação de energia de radiofrequência por este cateter leva ao aquecimento daquela porção do músculo cardíaco que está em contato com o cateter, provocando uma queimadura térmica de 0,5 cm de diâmetro e profundidade, o que elimina a via lenta e leva à cura da arritmia. Com este procedimento, consegue-se a eliminação da arritmia em 98% das vezes, com uma taxa de complicações em torno de 2% e uma chance de óbito durante o procedimento de 0,1%.

Taquicardias por reentrada Átrio-Ventricular e a síndrome de Wolff-Parkinson-White

A taquicardia por reentrada átrio-ventricular é gerada pela presença de uma via acessória que tem a capacidade de conduzir o estímulo elétrico dos átrios para os ventrículos ou no sentido inverso, dos ventrículos para os átrios. Algumas destas vias só conduzem o estímulo neste último sentido, não se manifestando no eletrocardiograma realizado num momento em que o indivíduo não esteja em crise de taquicardia. A única arritmia possível, neste caso, é a taquicardia por reentrada átrio-ventricular em que o estímulo alcança os ventrículos pelas vias normais de condução, voltando para os átrios pela via extra. Esta arritmia tem o risco de morte súbita bastante baixo, sendo os sintomas de palpitações taquicárdias o elemento mais importante a ser levado em consideração. As vias que conduzem o estímulo dos átrios para os ventrículos ou em ambos os sentidos manifestam alterações no eletrocardiograma mesmo fora das crises de taquicardia, o que configura a Síndrome de Wolff-Parkinson-White. Como a via acessória tem a capacidade de conduzir o estímulo elétrico para os ventrículos, além da arritmia acima descrita, qualquer outra arritmia atrial pode ser conduzida para os ventrículos, gerando frequências cardíacas elevadas. Nestes casos, o risco de morte cardíaca súbita é um elemento importante a ser considerado. Os indivíduos com alterações eletrocardiográficas típicas de Síndrome de Wolff-Parkinson-White e sintomas de palpitações devem ser sempre submetidos à avaliação da capacidade da via acessória em conduzir o estímulo elétrico para a estratificação do risco de morte súbita. Nos pacientes que nunca apresentaram sintomas de palpitações, o risco de morte súbita é bem mais baixo, de forma que a estratificação do risco de morte súbita é assunto controverso, mesmo entre especialistas.

O tratamento das crises consiste no uso de drogas que lentificam a passagem do estímulo elétrico pela via acessória, visando o término da arritmia. Estas mesmas drogas podem ser utilizadas em casa para tentar reduzir a chance de recorrência. No entanto, o tratamento mais efetivo também é a ablação por cateter de radiofrequência, obtendo-se a cura em cerca de 90 a 95% dos casos já no primeiro procedimento. Os riscos de complicações são os mesmos já descritos no caso da TRN.

Taquicardias Atriais

Estas arritmias tem um circuito elétrico restrito aos átrios, ou seja, o restante do coração não participa na sua manutenção. É um grupo mais heterogêneo de arritmias, podendo ser geradas por células automáticas, ou seja, células que tem a capacidade de gerar impulsos elétricos e comandar o coração sem obedecer aos comandos normais de aumento ou diminuição da frequência cardíaca, ou podem ser geradas por reentrada, mecanismo no qual é gerado um circuito elétrico que se perpetua. Podem acometer corações normais ou com alguma doença. Por esta heterogeneidade, as manifestações clínicas também são variadas, de sensações fugazes de palpitações taquicárdicas, que duram apenas alguns segundos, a taquicardias que se mantém por várias horas. Existem situações, inclusive, em que o ritmo normal é substituído por uma taquicardia atrial incessante. Pacientes com doenças pulmonares são particularmente suscetíveis a este grupo de arritmias.

A confirmação do diagnóstico se faz pela documentação da anormalidade do ritmo pelo eletrocardiograma. Como a duração da arritmia, muitas vezes, é fugaz, a gravação do eletrocardiograma por todo o dia (Holter de 24 horas) é muito útil no estabelecimento do diagnóstico. Nos casos em que a arritmia se inicia com esforços físicos, a gravação do eletrocardiograma durante esforço em esteira ou bicicleta (teste ergométrico) pode ajudar na documentação da anormalidade no ritmo. É frequente, contudo, que a documentação da arritmia se faça apenas durante o estudo eletrofisiológico.

O tratamento, na crise se faz com uso de drogas antiarrítmicas endovenosas. Dependendo da arritmia em questão, por vezes só se consegue a reversão por meio de cardioversão elétrica.
Algumas destas arritmias são controladas com uso de drogas antiarrítmicas, por via oral, continuamente. O tratamento curativo, entretanto, só é possível com a ablação por cateter, com taxas de sucesso variáveis dependendo das características da arritmia.